//Com a chegada do El Niño o que se espera para a Agricultura

Com a chegada do El Niño o que se espera para a Agricultura

Com a chegada do El Niño o que se espera para a Agricultura

Durante quase todo o Inverno o oceano Pacífico vai seguir com tendência gradual de aquecimento, o que já estamos observando, analisa a Climatempo. No cenário atual (julho) as probabilidades de El Niño se confirmaram com 80% com intensidade moderada ao longo da estação (anomalias de 1,0-1,5°C na região do Niño 3.4). 

Os efeitos do fenômeno já poderão ser notados ao longo do inverno na Região Sul, onde há tendência de aumento na frequência e intensidade das chuvas muito em função da intensificação dos Jatos de Baixos Níveis (JBN), que favorecem ingresso de ar quente e úmido para o oeste/sul do Mato Grosso do Sul, Sul do Brasil, e por vezes até o oeste/sul do estado de São Paulo.  

Tendência para Primavera 2023

De acordo com as informações dos meteorologistas da Climatempo, a primavera segue com El Niño, com probabilidades de 96% no trimestre Setembro, Outubro e Novembro, mantendo 96% em Outubro, Novembro e Dezembro e Novembro, Dezembro e Janeiro.

Com o incremento do aquecimento no Pacífico equatorial leste e central, mesmo com a tendência maior a um El Niño de moderada a forte intensidade durante o inverno, há grande possibilidade do fenômeno ganhar mais força durante a primavera, mas a Climatempo segue monitorando as tendências.

 Os impactos na Região Sul do Brasil seguem sendo de chuvas mais frequentes e intensas, com risco maior para eventos de tempo severo em virtude do escoamento intenso de ar quente e úmido pelo interior do continente. 

São Paulo deverá ter uma alternância entre períodos mais chuvosos/tempestuosos, especialmente o sul e oeste do estado, com períodos mais quentes e secos sobretudo entre outubro e novembro. O Brasil Central e sul da Amazônia poderão experimentar uma estiagem mais prolongada, com a formação e manutenção de massas de ar quente e seco, que podem favorecer ondas de calor, com pulsos de calor intenso inclusive no interior da região Sudeste e norte da região Sul.

Com a probabilidade alta e subindo até o fim do range da previsão, o fenômeno deverá persistir durante o verão de 2023/2024. Os impactos prováveis não são de redução nos volumes de chuva de forma generalizada, mas há uma condição mais favorável a maiores pausas nas chuvas, com períodos de tempo mais seco e quente, e menos formações de corredores de umidade sobre o Sudeste. A chuva deverá ocorrer mais na forma de pancadas provocadas pelo calor e alta umidade do que pela formação de corredores de umidade.

Em resumo: Há potencial para se tornar um El Niño forte, mas ainda está sendo avaliado. O El Niño deve durar todo verão de 2023/2024.

O Pacífico equatorial está na fase quente atualmente, com El Niño configurado, mas segue o gradual aquecimento na porção a leste, ao largo da costa oeste da América do Sul entre o Peru e o Equador. Este aquecimento vem aumentando nas últimas semanas e deverá seguir ao longo dos próximos meses, mantendo as condições de El Niño. Nas últimas atualizações, a probabilidade de manutenção do El Niño aumentou já no trimestre maio/junho/julho (MJJ), com 86% de probabilidade. Este número sobe para 93% em junho/julho/agosto (JJA) e para 94% em julho/agosto/setembro (JAS), permanecendo acima dos 90% até o próximo verão. Neste contexto, o El Niño deverá prosseguir ao longo do inverno, tendo moderada intensidade durante o inverno, com possibilidade de se tornar forte a muito forte na primavera. Os primeiros efeitos esperados são o aumento na frequência das chuvas sobre o Sul do país durante o inverno e a primavera, bem como a redução das chuvas na metade norte do país. No segundo semestre as temperaturas tendem a ficar mais altas do que o normal em quase todas as regiões.

Angela Ruiz, jornalista da Climatempo especializada em Agro pela Esalq/USP também produz o podcast Agrotalk