//CIDADE DO AGRO: Uberaba abre as porteiras para o futuro do agronegócio

CIDADE DO AGRO: Uberaba abre as porteiras para o futuro do agronegócio

Uniube inaugura complexo que reúne universidade, empresas, pesquisa, tecnologia e produção rural em um projeto que pretende ultrapassar as fronteiras de Minas Gerais

Há cidades que carregam uma vocação. Uberaba carrega a vocação do agro.

Foi nesse cenário que, no dia 11 de agosto, a Universidade de Uberaba, Uniube, inaugurou a Cidade do Agro, um complexo que transforma uma grande área de ensino e experimentação em um ambiente de conexão entre universidade, empresas, pesquisadores, estudantes e produtores rurais.

A solenidade reuniu o governador de Minas Gerais, Mateus Simões, a prefeita de Uberaba, Elisa Araújo, mais de 20 prefeitos da região, parlamentares, empresários, produtores, pesquisadores e representantes da comunidade acadêmica. A família Palmério também participou do momento que marca uma nova etapa da atuação da Uniube no agronegócio, também presente Marco Túlio Paolinelli, presidente do Grupo Agronelli e fundador do Instituto Agronelli.

Mais do que uma estrutura física, a Cidade do Agro integra a Universidade do Agro, criada para aproximar a formação acadêmica das necessidades reais do setor.

São mais de 30 empresas integradas, três centros de treinamento, áreas experimentais, projetos de inovação e pesquisas em andamento, formando um ecossistema no qual conhecimento e prática passam a dividir o mesmo espaço.

“MERCADO DE VERDADE”

A importância dessa aproximação também foi destacada pelo governador Mateus Simões.

Durante a inauguração, ele chamou atenção para uma realidade da formação profissional brasileira: muitas vezes, o estudante termina a universidade e só depois começa a aprender, de fato, como trabalhar.

“É muito triste você imaginar que, no Brasil, normalmente o estudante vai aprender a trabalhar depois que sair da universidade.”

Para Mateus Simões, o caminho é preparar o profissional ainda durante a formação, para que ele esteja pronto para o mercado quando concluir a faculdade.

O governador também destacou a integração entre universidade, pesquisa, startups, tecnologia e empresas, criando condições para aproximar o estudante do chamado “mercado de verdade”.

A fala encontra eco dentro da própria Cidade do Agro.

Ali, o estudante não fica apenas diante do conteúdo. Ele encontra o problema, acompanha a pesquisa, conhece a tecnologia e começa a compreender como aquele conhecimento se transforma em trabalho.

 

UBERABA GANHA UM NOVO PAPEL

Para a prefeita Elisa Araújo, a Cidade do Agro reforça uma vocação que Uberaba já carrega.

Durante a inauguração, ela destacou o potencial do município para abrigar um hub de inovação voltado ao agronegócio, aproximando conhecimento e tecnologia da produção.

A prefeita também ressaltou que esse ambiente pode contribuir para ampliar produtividade e rentabilidade dos produtores, do pequeno ao grande.

A fala coloca o projeto dentro da própria história da cidade.

Uberaba não está apenas recebendo uma nova estrutura.

Está acrescentando à sua tradição no agronegócio uma nova frente: a produção de conhecimento para o campo.

 

UMA GRANDE FAZENDA TRANSFORMADA EM SALA DE AULA

Durante a inauguração, o diretor executivo da Uniube, Flávio Sartori, destacou que a Cidade do Agro representa uma parte de um projeto muito maior.

O desafio, segundo ele, é preparar profissionais para um agronegócio cada vez mais tecnológico, marcado por agricultura digital, máquinas inteligentes, genética, automação e inteligência artificial.

“Nenhuma transformação será possível sem pessoas preparadas.”

A proposta encontra tradução nas palavras de Maria Cecília Palmério Toubes, vice-reitora da Uniube. Segundo ela, a ideia começou a ser construída há cerca de três anos, quando a instituição decidiu criar um grande laboratório de prática.

“A teoria é muito importante, ela é fundamental, ela é a base. Mas o aluno que sai só com a teoria sai cru para o mercado.”

A resposta foi aproximar as empresas da universidade.

“A empresa vem para cá com um problema e, junto com os alunos, trazemos a solução.”

É o chamado ensino dual, no qual o estudante passa a conviver com empresas, equipamentos, profissionais e desafios reais ainda durante sua formação.

A ideia também é explicada por Flávio Janones, executivo da Uniube e um dos idealizadores da Universidade do Agro.

Para ele, o projeto não foi pensado apenas para Uberaba.

“Ele não fica restrito só à nossa cidade, porque, na verdade, ele reflete os resultados do agronegócio para todo o Brasil, inclusive para a América Latina.”

Janones resume o conceito de uma maneira simples:

“A gente transforma uma grande fazenda numa sala de aula.”

E é justamente essa sala de aula de porteiras abertas que pretende aproximar o estudante das tecnologias que já estão transformando o campo.

O PRODUTOR NO CENTRO

O professor Francisc Henrique Silva, da Uniube, destaca que, nessa conexão, o produtor rural ocupa uma posição fundamental.

A Cidade do Agro reúne academia, empresas e comunidade para desenvolver pesquisas, promover eventos e buscar respostas para os desafios encontrados no campo.

“O nosso principal propósito é levar a melhor solução ao produtor rural, aliado a uma formação sintonizada com a realidade do mercado de trabalho.”

A lógica é simples: o produtor apresenta a necessidade, a universidade pesquisa, o estudante participa, e as empresas contribuem com tecnologia e conhecimento.

QUANDO A TECNOLOGIA ENTRA NA SALA DE AULA

Um dos exemplos mais concretos dessa proposta está na parceria com a New Holland.

A empresa instalou um centro de treinamento voltado à mecanização agrícola, agricultura digital, operação e performance. O investimento chega a R$ 2,8 milhões em equipamentos, entre tratores, pulverizadores e colheitadeiras.

Gabriel Vieira, representante da New Holland, explica a dimensão da parceria:

“Para nós é um orgulho muito grande estar aqui. Esse é o nosso primeiro centro universitário do Sudeste.”

Além dos equipamentos, a parceria envolve capacitação de professores e da equipe técnica da Uniube.

Para Auri Orlando, diretor de Suporte ao Cliente e Concessionárias da New Holland para a América Latina, o investimento mais importante está nas pessoas.

A proposta é fazer com que o estudante tenha contato direto com as tecnologias que encontrará no mercado e chegue à vida profissional preparado para utilizá-las.

O executivo também contou uma experiência pessoal. Quando ainda era estudante, teve contato com a New Holland por meio de um convênio educacional. A experiência despertou seu interesse pela empresa e contribuiu para sua trajetória profissional.

Agora, participa da criação de uma oportunidade semelhante para uma nova geração.

QUEM ESTÁ APRENDENDO TAMBÉM FAZ PARTE

No centro de toda essa estrutura estão os estudantes.

Tamilla, estagiária da Uniube na Universidade do Agro, destaca a importância do contato com as empresas desde o início da graduação.

“Além da gente ter um ensino dual, eles juntam a gente com as empresas também para a gente ter um contato maior desde o primeiro período da faculdade.”

Para Alice, essa convivência ajuda o estudante a compreender tanto as necessidades da universidade quanto as do mercado.

“É um contato com as empresas que está sendo muito importante para a gente profissionalmente.”

E Natany, também estagiária da Uniube na Cidade do Agro, representa esse novo profissional que começa a construir sua experiência ainda dentro da universidade.

São estudantes que aprendem não apenas nos livros, mas convivendo com máquinas, empresas, pesquisadores e problemas reais.

UMA HISTÓRIA DE EDUCAÇÃO E AGRO

A Cidade do Agro também se conecta à história da família Palmério.

Maria Cecília conta que o agronegócio faz parte da trajetória familiar há gerações, com atuação em reflorestamento, pecuária e agricultura.

Ao mesmo tempo, a educação ocupa um espaço igualmente importante.

A Uniube foi criada pelo avô de Maria Cecília e completa 80 anos no próximo ano.

É nesse encontro entre educação e agronegócio que nasce a Universidade do Agro.

“Educação para nós é um propósito, faz parte do meu DNA.”

O PRIMEIRO DIA DE UMA HISTÓRIA MAIOR

Na fala de Flávio Sartori, talvez esteja a melhor síntese do que a Uniube pretende construir.

A Cidade do Agro não é apenas um conjunto de prédios, equipamentos e centros de treinamento. É parte de um ecossistema que pretende conectar ensino, pesquisa, inovação, empresas, produtores e o mundo do trabalho.

A presença da Embrapa, por exemplo, já coloca a pesquisa dentro dessa engrenagem. Entre os trabalhos desenvolvidos está uma pesquisa com mais de 40 espécies de mandioca, buscando novas possibilidades de utilização e produtividade.

Para o estudante, é contato direto com pesquisadores e projetos reais.

Para o produtor, a possibilidade de acompanhar o desenvolvimento de novas soluções.

Para as empresas, a oportunidade de aproximar tecnologia e formação profissional.

E para Uberaba, uma nova maneira de exercer sua vocação para o agronegócio.

A inauguração marca uma data. O verdadeiro teste começa agora.

É quando os equipamentos entram em funcionamento, os estudantes aprendem, os pesquisadores desenvolvem seus projetos, as empresas apresentam seus desafios e o produtor procura respostas.

Porque uma estrutura pode impressionar no dia da inauguração.

O verdadeiro resultado aparece quando o conhecimento atravessa os portões e chega ao campo.

A Cidade do Agro começa em Uberaba, mas foi concebida para olhar para muito além dela.

O espaço tem endereço. O conhecimento não.

E talvez seja justamente aí que esteja o tamanho real desse projeto: não nos hectares, nos prédios ou nas máquinas, mas nas pessoas que serão formadas, nas pesquisas que serão desenvolvidas e nas soluções que poderão chegar às propriedades rurais de todo o Brasil.

Uberaba abre as porteiras. O futuro do agro entra por elas.

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