Um legado que atravessa gerações. Uma homenagem à altura de quem ajudou a transformar a agricultura brasileira.Medalha do Mérito Científico Dom Pedro II ao professor Roberto Rodrigues

A abertura da Expocitros 2026 reservou um dos momentos mais emocionantes e simbólicos do evento com a entrega da Medalha do Mérito Científico Dom Pedro II ao professor Roberto Rodrigues. Mais do que uma honraria, o reconhecimento comtempla a trajetória de um homem que se tornou referência mundial no agronegócio e cuja história se confunde com a própria evolução da agricultura moderna no Brasil.
Mas se a ciência impressionava, as homenagens emocionavam.
E foi justamente nesse instante que o auditório deixou de ser apenas um espaço técnico para se transformar em um verdadeiro palco de reconhecimento humano.
A entrega da Medalha do Mérito Científico Dom Pedro II ao professor Roberto Rodrigues se tornou um dos momentos mais simbólicos e emocionantes da abertura da Expocitros 2026.
Instituída pelo Instituto Agronômico em homenagem aos 200 anos de nascimento de Dom Pedro II, a honraria reconhece personalidades que contribuíram de forma decisiva para o desenvolvimento científico, agrícola e institucional do Estado de São Paulo e do Brasil.
Engenheiro agrônomo formado pela ESALQ/USP em 1965, ex-secretário de Agricultura do Estado de São Paulo, ex-ministro da Agricultura, criador da Agrishow, professor, líder cooperativista e embaixador especial da ONU para Agricultura e Alimentação, Roberto Rodrigues representa uma das figuras mais influentes da história do agronegócio brasileiro.
Ao receber a medalha, o auditório respondeu com respeito absoluto.
Não era apenas uma homenagem institucional.
Era o reconhecimento de uma vida inteira dedicada à construção da agricultura moderna brasileira.
Com a simplicidade de quem carrega décadas de história no agro, Roberto Rodrigues transformou sua fala em um dos momentos mais marcantes da manhã.
Sem discurso ensaiado e tomado pela emoção, afirmou que jamais trabalhou pensando em homenagens ou reconhecimento.
“Tudo o que eu fiz foi porque amo a agricultura. Nunca me custou trabalhar pelo agro, porque sempre trabalhei com alegria, convicção e paixão.”
Entre lembranças pessoais, histórias familiares e reflexões profundas sobre o Brasil, Roberto Rodrigues revelou ao público o tamanho da sua ligação com o campo.
Em um momento descontraído, arrancou risos do auditório ao contar uma conversa com a esposa.
“Ela perguntou se eu gostava mais dela ou da agricultura. Eu respondi que gostava igual… mas da agricultura há mais tempo.”
Mas foi ao falar sobre o futuro do país que sua mensagem ganhou ainda mais força.
Segundo ele, o Brasil atravessa um dos momentos mais desafiadores de sua história recente, vivendo aquilo que definiu como um verdadeiro “tsunami global”, capaz de impactar economias, mercados e setores produtivos em todo o mundo.
Ainda assim, demonstrou confiança absoluta na força do agro brasileiro.
“As crises passam. Todas passam. E quando a onda voltar, permanecerão de pé aqueles que estiverem agarrados em raízes sólidas.”
Para Roberto Rodrigues, o Brasil terá um papel cada vez mais estratégico no cenário mundial justamente por possuir aquilo que o planeta mais precisará nas próximas décadas: capacidade de produzir alimento e energia renovável.
“O Brasil será cada vez mais relevante para o mundo porque pode oferecer aquilo que o planeta mais vai precisar: alimento e energia.”
Em uma das passagens mais fortes de sua fala, destacou que não haverá paz no mundo enquanto existir fome.
“O agro brasileiro será campeão mundial da segurança alimentar e energética. E quem ajuda a combater a fome ajuda também a construir a paz.”
A emoção tomou conta do auditório quando ele reconheceu a presença de diferentes gerações que acompanharam sua trajetória ao longo da vida.
Colegas de faculdade, ex-alunos, pesquisadores, lideranças do agro, amigos de décadas e familiares dividiam o mesmo espaço, transformando a homenagem em algo ainda mais simbólico.
“Hoje não é apenas uma homenagem. Hoje é emoção pura.”
Ao encerrar, Roberto Rodrigues deixou uma frase simples, mas profundamente impactante, arrancando longos aplausos do público presente.
“O futuro será extraordinário. Portanto, fiquemos vivos, porque o futuro não interessa aos mortos.”










