A mulher que enfrentou os espinhos da vida e hoje abre caminhos para que outras mulheres também floresçam.


E pensar que tudo começou com uma decisão corajosa, um salto guardado no armário e uma bota que a levou por caminhos que ela ainda não conhecia.
Há cerca de 30 anos, Lídia Van der Ven deixou uma carreira consolidada no departamento de Recursos Humanos de uma multinacional para conhecer um mundo completamente diferente. O mundo das flores, da terra, das estufas e dos desafios de uma empresa rural.
Foi o amor por Michael Van der Ven, seu marido, quem lhe apresentou esse universo. E foi a coragem que a fez permanecer nele.
Mas a mudança de calçado foi a parte mais fácil.

Vieram os filhos, um casal, Mateus e Isabela, as responsabilidades da maternidade, as longas jornadas de trabalho e o desafio de conquistar seu espaço em um ambiente predominantemente masculino.
Lídia relembrou que, nas primeiras assembleias das cooperativas, há três décadas, quase não havia mulheres. E nem sempre sua presença era bem recebida.
Chegou a ouvir perguntas que hoje parecem absurdas. Estaria acompanhando o marido por ciúme? Por que havia deixado os filhos pequenos em casa para participar das reuniões?
Quantas mulheres não reconheceriam um pouco de sua própria história nessas palavras?
Mas Lídia não desistiu. Respondeu com elegância e uma determinação admirável:
“Eu não estou aqui pelo ciúme do meu marido. Eu estou aqui pelo aprendizado. E eu vou aprender.”
E aprendeu!
Aprendeu sobre produção, gestão, cooperativismo e, principalmente, sobre a importância de acreditar em si mesma, mesmo quando os outros ainda não reconhecem sua capacidade.
Ao falar de Michael, seu companheiro de vida e grande incentivador, Lídia mostrou que, por trás da empresária, existe uma mulher profundamente ligada à família que construíram juntos.
Com bom humor, reconheceu que trabalhar com o marido nem sempre é fácil. Afinal, até quem vive cercada de flores conhece a dor dos espinhos.
Mas foi ao olhar para Michael que deixou escapar uma das declarações mais bonitas daquela tarde:
“Todos os dias eu olho pra ele e me apaixono como se fosse a primeira vez.”
E naquele instante, o amor pareceu explicar muita coisa. Não apenas o caminho percorrido, mas a parceria que ajudou a construir uma família e uma história de trabalho.
Lídia também deixou uma mensagem poderosa às mulheres:
“No final do dia, ele precisa de uma ‘copilota’ do lado. Preparada. Muito bem preparada para assumir a direção a qualquer momento.”
Porque uma mulher não nasceu apenas para aplaudir as conquistas de quem ama. Ela também pode participar das decisões, dividir responsabilidades e assumir o comando quando a vida exigir.
E foi assim, entre lembranças, emoção e algumas boas risadas, que Lídia chegou à conclusão que resumiu sua trajetória.
Ela não precisava escolher entre o salto e a bota. Podia usar os dois.
Podia ser mãe, esposa, empresária e líder. Podia ser delicada sem deixar de ser forte. Podia amar profundamente sua família e, ao mesmo tempo, conquistar seu espaço no mundo dos negócios.
Quando a vida devolve em flores aquilo que foi plantado com coragem

Nos dias 8 e 9 de outubro, em Holambra, aquela mulher que um dia precisou justificar sua presença em reuniões empresariais estava diante de mais de 100 mulheres do agronegócio brasileiro, como idealizadora do encontro Flores do Campo: Mulheres que Florescem no Agro.
Que volta bonita a vida deu!
A mulher que precisou lutar para ser ouvida agora oferecia sua voz, sua experiência e seu acolhimento para que tantas outras encontrassem forças para seguir.
E foi impossível não perceber a emoção quando Lídia agradeceu a presença de cada participante e revelou que sua maior satisfação estava no coração.
Ali estava seu propósito.
Lídia, você passou tantos anos cultivando flores, mas nesses dois dias plantou algo que nenhuma estufa consegue produzir: confiança no coração de outras mulheres.
E essa é uma colheita que não termina quando um evento acaba.
Porque as flores que você cultiva encantam os olhos, mas as sementes que deixou em cada uma de nós continuarão florescendo por muito tempo.
O salto e a bota nunca foram apenas calçados. Eram os passos de uma mulher que aprendeu a caminhar por si mesma e, hoje, ajuda outras a encontrarem seus próprios caminhos.”
Equipe Revista Agro S/A | Especial Holambra 2026










