//Como as plantas utilizam os nutrientes?

Como as plantas utilizam os nutrientes?

Você já se perguntou como as culturas agrícolas aproveitam os nutrientes? Será que as plantas podem destinar os seus nutrientes mais para produção de estruturas vegetativas, como caule, ramos e folhas, do que para estruturas reprodutivas, como grãos e frutos? Como isso pode ser mais ou menos interessante para o agricultor no campo?

Nesse sentido, esse artigo técnico busca esclarecer o que são alguns conceitos relacionados à eficiência no uso dos nutrientes pelas plantas, dentre eles: eficiência agronômica, eficiência fisiológica, eficiência agrofisiológica, eficiência de recuperação, e eficiência de utilização.

Primeiramente, é importante destacar que todos esses termos são índices que tentam explicar a habilidade das culturas agrícolas em utilizar os nutrientes e como essas os aproveitam. Portanto, todas as eficiências são baseadas em cálculos. Por ora, não nos aprofundaremos na forma que obtemos esses índices. Mas, daremos destaque ao que os seus resultados refletem e seus exemplos práticos.

Basicamente, e para simplificar, podemos dizer que eficiência é: quilograma de algo por quilograma de algo (kg por kg, kg-1 kg-1). Assim, vamos logo dizer o que cada uma representa.

Eficiência agronômica (kg-1 kg-1): a mais conhecida provavelmente; indica quantos kg de produto comercial (grãos de soja, por exemplo) pode ser obtido para cada kg do nutriente aplicado via fertilizante. Dessa forma, devemos nos atentar para o uso de estratégias que proporcionem maior produtividade com menor uso de fertilizantes, visto que esses encarecem os custos de produção.

Eficiência fisiológica (kg-1 kg-1): indica quantos kg de massa seca da parte aérea podem ser obtidos para cada kg do nutriente acumulado na parte aérea (grãos + “palha”). Note que esse índice já leva em consideração a quantidade do nutriente na planta. Elevadas eficiências fisiológicas são bastante interessantes para plantas de cobertura ou adubos verdes, que precisam produzir grande quantidade de biomassa (palha) para proporcionarem seus benefícios, como ciclagem de nutrientes, recobrimento do solo, e/ou manutenção da palhada para aqueles agricultores que aderiram ao sistema plantio direto.

Eficiência agrofisiológica (kg-1 kg-1): refere-se a quantos kg do produto comercial (grãos) serão produzidos para cada kg do nutriente acumulado na parte aérea. Possivelmente, recebeu esse nome por dar enfoque no efeito do nutriente na fisiologia da planta, principalmente voltado para a produção de grãos. Quando comparada à eficiência fisiológica, é mais interessante do ponto de vista agronômico, pois a planta destinou o uso do nutriente para produção de grãos, refletindo em lucro. Embora exista uma relação diretamente proporcional entre a massa seca da parte aérea (eficiência fisiológica) e a quantidade de produtos comerciais obtidos (eficiência agrofisiológica), em certas condições da lavoura, isso pode não acontecer sempre. Portanto, para os colegas engenheiros agrônomos e agricultores de plantão: procurar cultivares com maior eficiência agrofisiológica é uma prática agrícola sustentável. Afinal, quem nunca ouviu a frase recorrente “essa planta (muitas vezes, cultivar) vegetou muito, mas produziu pouco”.

Eficiência de recuperação (kg-1 kg-1): indica quantos kg do nutriente foi acumulado na parte aérea da planta para cada kg do nutriente aplicado via fertilizante. Esse índice é bastante útil, porque pode nos dar uma noção da eficiência de absorção dos nutrientes pelo sistema radicular da cultura. De forma geral, plantas eficientes na recuperação tendem a ser mais eficientes na utilização.

Eficiência de utilização (kg-1 kg-1): a última eficiência; calculada pela multiplicação da eficiência fisiológica e da eficiência de recuperação (EU = EF x ER), refere-se a quantos kg de massa seca da parte aérea serão produzidos para cada kg do nutriente aplicado. Note que a eficiência de utilização é dada em função da recuperação do nutriente aplicado via fertilizante e da produção de biomassa produzida pelas plantas.

Dessa forma, produtores e colegas do setor devem priorizar plantas que recuperem melhor os nutrientes aplicados via fertilizantes e produzam mais de acordo com os seus objetivos, sejam eles: grãos, frutos ou palha. Por fim, no mundo moderno que somos cobrados diariamente por eficiência, nada melhor e mais justo tornarmos os nossos sistemas agrícolas mais sustentáveis, proporcionando-lhes serem úteis por mais tempo. Afinal, são esses sistemas que, conjuntamente com o trabalho árduo de agricultores e vários profissionais da cadeia do agronegócio, colocam os alimentos em nossas mesas.

 

 

Eng. Agr. Me. Fábio Tiraboschi Leal (e-mail: [email protected])

Doutorando em Agronomia (Produção Vegetal) pela Unesp/Jaboticabal. Atua principalmente com os seguintes temas: adubação e nutrição de plantas, e uso e manejo de fertilizantes e corretivos nos sistemas agrícolas. Foi sócio-fundador do portal online Fala Campo durante dois anos. Atualmente, é gestor de projetos do grupo de pesquisa Sagris (Sustentabilidade nos Sistemas Agrícolas).

 

Prof. Dr. Leandro Borges Lemos (e-mail: [email protected])

Docente do departamento de Produção Vegetal pela Unesp/Jaboticabal. Atua principalmente com os seguintes temas: sistemas de produção agrícola sustentáveis com ênfase no plantio direto de qualidade, consórcio de milho com braquiária, consórcio de milho com crotalária, desempenho produtivo e qualitativo de cultivares de feijão, manejo da adubação nitrogenada no feijoeiro e produção de café arábica como alternativa para a região de Jaboticabal (SP). Atualmente, é também docente supervisor da Consultoria Agropecuária Júnior (CAP Jr.), e líder do grupo de pesquisa Sagris (Sustentabilidade em Sistemas Agrícolas).

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