Dia de campo na Fazenda Santa Helena em parceria com a Coopercitrus destaca ciência, solo vivo e o básico bem feito como caminhos para a agricultura do futuro.
O dia de campo realizado no último dia 21, na Fazenda Santa Helena, reuniu produtores, técnicos, agrônomos, pesquisadores e parceiros de diferentes regiões do Brasil em um encontro marcado por troca de conhecimento, visão de longo prazo e decisões técnicas baseadas em ciência. O evento consolidou a propriedade como referência nacional em sistemas agrícolas sustentáveis, produtividade e inovação no campo.
Logo na abertura, o professor Ademir Calegari destacou a trajetória da família Lelis, ressaltando o cuidado, a responsabilidade e a evolução contínua da fazenda ao longo das gerações. Construída por Adnaer de Barros Lelis e Edna, e hoje conduzida pelos filhos José Eduardo, Maira e Adriana, com participação ativa do neto Pérsio Augusto e Adnaer Neto a Fazenda Santa Helena mantém as porteiras abertas para compartilhar experiências, resultados e aprendizados, tornando-se um verdadeiro laboratório a céu aberto.
A abertura técnica marcou oficialmente o início do 5º Circuito de Soja Coopercitrus, conduzida por Paulo, gestor de sementes da Coopercitrus e responsável pela assistência técnica da cooperativa na fazenda. Ele destacou a genética como base da evolução dos sistemas produtivos, associada ao manejo, aos interferentes ambientais, à formação de massa e aos sistemas regenerativos, reforçando que produtividade sustentável é construída com planejamento e decisões corretas.
Representando a família, José Eduardo Coscrato Lelis falou com emoção sobre a satisfação de receber o evento pelo quinto ano consecutivo. Ele destacou três pilares que sustentam a vida no campo: paixão pelo que se faz, preparo para dar sempre o melhor e a sorte de estar no lugar certo, na hora certa. Nesse contexto, reforçou a importância da Coopercitrus como parceira estratégica da Fazenda Santa Helena, oferecendo segurança, processos e visão positiva, inclusive nos momentos mais desafiadores.
O presidente da Coopercitrus, Fernando Degob, reforçou o compromisso da cooperativa com inovação, boas práticas e evolução contínua. Destacou que a agricultura é feita de ciclos e que cada novo ciclo deve ser virtuoso, gerando resultados e permitindo novos investimentos. Enfatizou ainda que a cooperativa existe para gerar resultados aos cooperados e que conhecimento técnico de qualidade é fundamental para enfrentar os desafios do agro.
Um dos momentos mais marcantes do dia foi o depoimento de Maira Lelis, que compartilhou a transformação da Fazenda Santa Helena a partir de 2017, quando a propriedade passou a investir de forma estruturada em plantas de cobertura e sistemas de rotação. Ela relembrou erros, dificuldades e aprendizados até a consolidação de um sistema baseado em ciência, diagnóstico e manejo estratégico. Hoje, 100% das áreas trabalham com rotação, algumas com até nove espécies de plantas de cobertura, em um solo com mais de 70 anos de cultivo.
“Fazer diferente para ter melhores resultados”. Maira Lelis
Os resultados comprovam o caminho adotado. Pelo quarto ano consecutivo, a fazenda supera a marca de 100 sacas por hectare, resultado atribuído ao solo vivo, à diversidade de raízes, à biologia ativa e à observação constante do campo. Maira destacou que não existe milagre, mas sim decisão técnica, consistência e disposição para fazer diferente.
A programação técnica teve início com o professor Ademir Calegari, que reforçou a importância de enxergar o solo como um organismo vivo. Com quase 50 anos de atuação no Brasil e no exterior, ele destacou que não existem receitas prontas, mas sim sistemas bem construídos, com diversidade de plantas, raízes ativas e manejo integrado. Segundo ele, grande parte das perdas de produtividade está relacionada a falhas de processo, e não à falta de insumos. O foco deve estar na construção de sistemas eficientes e duradouros.
Na sequência, a pesquisadora Dr.ᵃ Ieda Mendes, da Embrapa Cerrados, trouxe uma abordagem técnica sobre saúde do solo, mostrando que análises químicas, sozinhas, não contam toda a história. Ela apresentou métricas capazes de medir a biologia do solo e comprovou, com dados, que áreas com rotação de culturas podem produzir até uma tonelada a mais por hectare em comparação a áreas em sucessão contínua. Destacou que o solo saudável é a maior biofábrica existente e que boas decisões de manejo geram retorno econômico real e maior resiliência frente ao estresse hídrico.
Encerrando o dia, o professor Paulo, da Unesp de Botucatu, trouxe uma palestra direta e prática sobre plantadeiras e plantabilidade. Ele reforçou que o plantio é a única operação em que o produtor realmente ganha dinheiro e que falhas, duplas e desuniformidade custam produtividade desde o início da lavoura. Dados de pesquisa mostraram ganhos de até dez sacas por hectare apenas com manutenção e regulagem correta das plantadeiras. Segundo ele, o básico bem feito continua sendo a tecnologia mais eficiente, acessível e rentável no campo.
O dia de campo na Fazenda Santa Helena foi além da troca técnica. Reforçou que produtividade sustentável nasce da integração entre ciência, manejo, tecnologia e pessoas comprometidas em evoluir. A mensagem final foi clara: o futuro da agricultura passa pelo cuidado com o solo, decisões bem fundamentadas e pela coragem de fazer diferente para colher melhor.
O evento contou com várias empresas apoiadoras e também com a presença de Sônia Bonato embaixadora do agro e representante do grupo as Fortes do Agro, e trouxe algumas produtoras mulheres que vieram ver de perto esse dia de aprendizado.
















