Houve um tempo em que aquele pedaço de chão, em Guaíra, não despertava interesse algum. Era solo fraco, castigado pela acidez, carregado de alumínio e com apenas 13% de argila. Pouco ou nada se esperava dali. No vocabulário direto do campo, era a chamada “barba de bode”, expressão que carregava mais descrença do que ironia. Ainda assim, foi ali que um pai decidiu começar. Onde quase ninguém via futuro, ele viu possibilidade.
Décadas depois, o mesmo chão receberia um Dia de Campo promovido pela DEDEAGRO. O encontro, realizado na fazenda que hoje pertence a Paulinho Dedemo, foi mais do que uma atividade técnica. Tornou-se um reencontro com a própria história da agricultura local. Cada talhão visitado parecia contar, em silêncio, que o tempo, quando bem conduzido, também é ferramenta de trabalho.
Quem conduziu o encontro foi João Dedemo, falando em nome da DEDEAGRO, mas sobretudo como alguém que conhece aquele solo desde quando ele ainda era sinônimo de dificuldade. Em sua fala, dados técnicos se misturaram a lembranças. Ele recordou a primeira análise de solo levada a um professor em Viçosa. A resposta foi dura e quase definitiva. Ali havia alumínio em quantidade suficiente “até para fazer panela”. Para muitos, aquilo seria um ponto final. Para a família, foi apenas o início.
O solo não mudou sozinho. Mudou porque foi estudado, corrigido e respeitado. Mudou porque cada geração fez sua parte. O trabalho iniciado pelo pai passou pelo irmão e hoje se consolida com a nova geração, que imprime eficiência, qualidade e manejo preciso à propriedade. A fazenda, antes marcada pela limitação natural, tornou-se referência prática de como a agricultura evolui quando tradição e tecnologia caminham juntas.
Durante o Dia de Campo, não se falava apenas de insumos ou produtividade. Falava-se de processo. De decisões tomadas ano após ano. De erros corrigidos. De aprendizados acumulados. O que se via no campo era o resultado de uma agricultura que deixou de ser intuitiva para se tornar estratégica, sem perder o vínculo com suas origens.
A terra, antes desacreditada, hoje responde com vigor. Responde porque foi ouvida. Porque recebeu correção, manejo adequado e investimento em conhecimento. Responde porque a ciência entrou no campo sem expulsar a experiência, mas somando forças. Ali, cada resultado visível era também uma lição silenciosa.
Em um momento delicado para o setor, com preços baixos das commodities agrícolas e margens cada vez mais apertadas, a mensagem deixada pela DEDEAGRO foi clara. Atravessar tempos difíceis exige proximidade com o produtor, parceria verdadeira e foco em eficiência. Não há atalhos. O caminho passa por produzir mais, produzir melhor e usar a tecnologia como aliada, não como promessa vazia.
O Dia de Campo também cumpriu o papel de integrar pessoas. Produtores, técnicos e parceiros compartilharam dúvidas, observações e experiências. No campo, o conhecimento circula melhor quando é visto de perto, quando se pisa na terra e se observa o resultado real das escolhas feitas ao longo do tempo.
Ao final do encontro, veio o convite para seguir adiante. Outros Dias de Campo já estão marcados e levam a mesma proposta a diferentes regiões do norte do Estado de São Paulo. No dia 23 de janeiro, o aconteceu o encontro em Altinópolis, na propriedade do senhor Varaldo. Já no dia 7 de fevereiro, será a vez da Fazenda Santa Rita, em Jeriquara, propriedade do senhor Luiz Carlos Bergamasco.
A história daquele solo em Guaíra não é exceção. É exemplo. Exemplo de que a agricultura se constrói com paciência, método e continuidade. De que a terra não responde ao improviso, mas à insistência bem orientada. E de que, muitas vezes, os melhores resultados nascem justamente onde, um dia, quase ninguém acreditou que fosse possível.
















