No ano em que Uchoa completa 100 anos, a cidade ganhou uma nova casa para o Legislativo e um novo filho para chamar de seu.
A noite da segunda-feira, 9 de fevereiro, entrou para a história do município com a inauguração da nova sede da Câmara Municipal e a entrega do título de Cidadão Uchoense a Tirso de Sales Meirelles, presidente da FAESP/ SENAR-SP/CAESP. Um evento que uniu simbolismo, emoção e visão de futuro.
A nova Câmara Municipal, moderna, acessível e instalada em local estratégico, representa mais do que um prédio público. Ela simboliza a valorização do Poder Legislativo, o fortalecimento da democracia e o compromisso com o diálogo aberto entre representantes e população. Em um ano emblemático, de centenário, Uchoa reafirma sua maturidade institucional e sua disposição de continuar avançando.
Autoridades municipais, regionais e estaduais prestigiaram a solenidade. Estavam presentes o prefeito Cláudio, o vice-prefeito, vereadores, representantes do Judiciário, lideranças políticas, produtores rurais e convidados. A noite foi marcada por discursos que reforçaram o orgulho de pertencer a uma cidade que cresce sem perder suas raízes.
Ao abrir os pronunciamentos, o presidente da Câmara destacou que a nova sede é fruto de planejamento, responsabilidade e respeito ao dinheiro público. Ressaltou que o espaço foi pensado para acolher melhor a população, dar transparência aos trabalhos legislativos e garantir condições adequadas para o exercício do mandato dos vereadores. “É uma casa do povo, feita para o povo”, resumiu.
O prefeito Cláudio, em sua fala, reforçou o espírito de união entre os Poderes e lembrou que o município vive um momento especial. Citou investimentos, projetos em andamento e o orgulho de administrar Uchoa em seu centenário. Destacou ainda a parceria com entidades e lideranças que contribuem para o desenvolvimento econômico e social da cidade, em especial no fortalecimento do agronegócio, base da economia local.
Mas foi na homenagem que o clima da noite se transformou.
Ao ser convidada para falar, a presidente do Sindicato Rural de Uchoa, Siuzi Davanço, deixou claro que não faria um discurso protocolar. “Hoje eu não falo como presidente de sindicato, eu falo com o coração”, afirmou logo no início, arrancando atenção e emoção do público.
Siuzi destacou que aquele era um momento histórico para Uchoa e para o agro local. Falou de gratidão, de reconhecimento e de respeito. Lembrou que a homenagem a Tirso Meirelles representa muito mais do que um título: simboliza a presença constante, o apoio verdadeiro e o olhar humano dedicado aos produtores rurais, especialmente aos pequenos e médios.
Em sua fala, fez questão de lembrar o legado de Dr. Fábio Meirelles, pai do homenageado, referência nacional no agronegócio e figura que marcou gerações com sua liderança firme e sensível. Segundo Siuzi, Tirso carrega não apenas o sobrenome, mas a essência de uma missão construída com trabalho, responsabilidade e compromisso com as pessoas. “Tudo o que fazemos no sindicato, tudo o que chega até o produtor, só é possível porque temos esse apoio, esse amparo, essa parceria”, disse, emocionada. Também agradeceu a união com o poder público municipal, reforçando que o desenvolvimento só acontece quando há diálogo e cooperação.
Quando Tirso de Sales Meirelles tomou a palavra, falou como quem conhece o chão que pisa. Agradeceu a homenagem, destacou a alegria de recebê-la em uma data próxima ao seu aniversário e fez questão de dividir o reconhecimento. “Esse título não é só meu. Ele pertence aos produtores rurais, às lideranças, aos sindicatos, aos prefeitos, aos vereadores e a todos que acreditam no municipalismo”, afirmou.
Em um discurso firme e didático, Tirso reforçou que o desenvolvimento do país começa nos municípios. Defendeu que políticas públicas eficazes precisam nascer perto das pessoas, entendendo as realidades locais. Segundo ele, quando sindicatos rurais, prefeituras e entidades caminham juntas, os resultados aparecem de forma concreta.
Um dos pontos centrais de sua fala foi a implantação de sete centros de excelência no Estado de São Paulo, iniciativa conduzida pela FAESP e pelo SENAR-SP com foco em inovação, capacitação e fortalecimento da produção rural. Tirso explicou que os centros atuam em áreas estratégicas como irrigação, agroindústria, agricultura familiar, bioenergia e cana-de-açúcar, energia, tecnologia, inteligência artificial, bioinsumos e desenvolvimento sustentável.
O objetivo, segundo ele, é levar conhecimento técnico, agregar valor à produção, gerar renda, estimular a permanência do produtor no campo e impulsionar a economia dos municípios. “Não se trata apenas de produzir mais, mas de produzir melhor, com tecnologia, responsabilidade ambiental e dignidade para quem vive no campo”, pontuou.
Tirso também falou sobre os desafios enfrentados pelo setor produtivo, citando o cenário econômico nacional, a alta carga tributária e a necessidade de planejamento de longo prazo para áreas essenciais como saúde, educação e infraestrutura. Ressaltou o papel do agronegócio brasileiro como pilar da economia, responsável por grande parte das exportações, do PIB e da geração de empregos, além do compromisso dos produtores com a preservação ambiental.
Em outro momento de sua fala, destacou a importância do pequeno e médio produtor, do empreendedorismo feminino no campo e das ações de formação e capacitação promovidas pelo SENAR-SP. Reforçou que conhecimento transforma realidades e que investir em pessoas é o caminho mais seguro para o desenvolvimento sustentável.
Ao final, emocionado, afirmou que a honraria recebida representa o reconhecimento ao trabalho coletivo. “Somos instrumentos para levar desenvolvimento, conhecimento e dignidade a quem produz”, disse, agradecendo à cidade de Uchoa, às autoridades e à população.
Naquela noite, Uchoa não apenas inaugurou um prédio ou entregou um título. Construiu memória.
Comemorou seu centenário reafirmando valores, fortalecendo instituições e reconhecendo quem ajuda a transformar o presente pensando no futuro.
E Tirso de Sales Meirelles, agora oficialmente, passa a carregar no nome algo que sempre esteve em suas ações: o orgulho de ser, também, filho de Uchoa. Agora ele passa a ser Uchoense que já era de coração, agora é de fato!
















